No Mês do Orgulho, influenciadora reflete sobre sua trajetória e os diversos desafios enfrentados por toda comunidade LGBTQIA+ Gente: notícias, fotos e vídeos de famosos, celebridades, entretenimento e mais.

Enquanto milhões de pessoas se mobilizam para celebrar o Mês do Orgulho LGBTQIA+, a influenciadora, drag queen e empresária Halessia aproveitou o momento para fazer um importante alerta sobre representatividade e inclusão durante todo o ano.
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Conhecida nacionalmente, Felipe Salinas Cavina, de 29 anos, mais conhecida como Halessia, concedeu uma entrevista especial ao iG e refletiu sobre sua trajetória, os desafios enfrentados ao longo da carreira e a importância de ampliar os espaços ocupados por artistas LGBTQIA+ no mercado.
Durante a conversa, Halessia também criticou marcas que demonstram apoio à comunidade apenas durante o mês de junho, período marcado pelas campanhas voltadas ao Orgulho LGBTQIA+.
Sincera ao falar sobre seus ideais e vivências, a artista fez questão de mandar um recado direto ao mercado publicitário e às empresas.
“Para as marcas que acham que só no mês LGBT a gente existe, que vão contratar a gente somente nesse mês, a gente está aqui o ano inteiro”, declarou.
Apesar de defender que o reconhecimento da comunidade LGBTQIA+ deve acontecer durante todo o ano, Halessia também celebrou a importância simbólica do mês de junho. Para a influenciadora e maquiadora, o período representa uma oportunidade de ocupar espaços, ampliar a visibilidade da comunidade e participar de um dos maiores símbolos de resistência e celebração LGBTQIA+ do mundo: a Parada do Orgulho de São Paulo.

Embora muita gente não saiba, longe das inúmeras luzes, maquiagens e figurinos luxuosos que transformam Felipe em Halessia, existe uma história construída com muito esforço, persistência e amor pela arte.
Ao recordar os momentos mais difíceis de sua caminhada até aqui, Felipe não aponta um episódio específico. Em sua visão, toda a trajetória foi marcada por desafios.
Apesar das dificuldades, o criador de conteúdo conquistou espaços que antes pareciam inalcançáveis. Um dos momentos mais marcantes foi estampar a capa da Vogue Brasil, algo que, de acordo com ele, parecia impossível quando começou sua carreira como drad queen, por volta de 2015.
Se pudesse conversar com a própria versão do passado, a mensagem seria simples: não desistir. “Eu diria para continuar, porque eu iria realizar sonhos que nem imaginava que seriam possíveis”, destacou.
Além das campanhas
Durante o bate-papo, Halessia também comentou sobre a crescente presença de pautas LGBTQIA+ nas estratégias de marketing das empresas. Em seu ponto de vista, o apoio genuíno pode ser identificado pela consistência.
A fala reforça uma discussão cada vez mais presente dentro da comunidade: a diferença entre ações de representatividade efetivas e iniciativas motivadas apenas pelo conhecido “pink money”.

Depois de muita luta, nos últimos anos, artistas drags passaram a conquistar mais espaço na televisão, na moda, na publicidade e nas redes sociais. Para Halessia, essa transformação é resultado de um esforço coletivo, mas também de uma decisão consciente de não aceitar limitações ou preconceitos mascarados pela sociedade.
“Eu gosto de desafios. A Halessia veio justamente para abrir espaços e estar em todos os lugares”, afirmou.
Hoje, a influenciadora acredita que a arte drag não deve ficar restrita apenas aos ambientes tradicionalmente ligados à comunidade LGBTQIA+. Segundo a empresária, ocupar diferentes espaços é uma forma de quebrar preconceitos, gerar diálogo e mostrar que a arte drag é capaz de conectar pessoas independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero.
“Eu quero que as pessoas me respeitem e apreciem a arte. A drag queen está ali para unir pessoas”, refletiu.

Evolução
Ao observar os jovens LGBTQIA+ de hoje, Halessia reconhece avanços importantes, principalmente graças ao acesso à informação e às redes sociais. “A internet ajuda a mostrar que ninguém está sozinho”, observou.
Mesmo assim, ela lembra que muitos desafios continuam presentes e destaca a importância das redes de apoio para quem está em processo de descoberta e afirmação da própria identidade.
Ainda que as dificuldades sejam muitas, ao falar sobre as novas gerações de artistas drags, o entusiasmo ficou evidente. “Quando alguém me diz que começou a se montar porque viu um vídeo meu, sinto que minha missão está sendo cumprida”, confessou.
Para Halessia, a representatividade vai muito além da visibilidade. Ela abre caminhos, inspira trajetórias e mostra que sonhos podem ser possíveis.
Em pleno Mês do Orgulho, onde o Brasil lidera o ranking de países com o maior número absoluto de mortes violentas de pessoas da comunidade LGBT+ no mundo, sua história reforça uma mensagem que ecoa muito além de junho: existir, ocupar espaços e ser quem se é continua sendo um ato de coragem.

