Renan Bastos analisa como a escassez planejada aumenta valor e desejo entre consumidores Gente: notícias, fotos e vídeos de famosos, celebridades, entretenimento e mais.

Durante muito tempo, os mercados operaram sob um princípio simples: se alguém tivesse recursos financeiros suficientes, poderia comprar qualquer coisa que desejasse.
Nos mercados de luxo, porém, essa dinâmica vem mudando.
Em setores que vão da moda e dos automóveis à hotelaria e à alta relojoaria, algumas das marcas mais desejadas do mundo passaram a adotar estratégias baseadas não apenas no preço, mas também no acesso.
Para muitos consumidores, a maior surpresa é descobrir que a capacidade financeira, por si só, nem sempre garante a aquisição de determinados produtos.
Segundo observadores do setor, algumas marcas perceberam que a exclusividade é um de seus ativos mais valiosos e passaram a controlar cuidadosamente quem pode comprar determinados produtos, em quais condições e em qual momento.
Essa dinâmica pode ser observada de forma clara no mercado de relógios de luxo.
Marcas como Patek Philippe, Rolex e Audemars Piguet possuem referências altamente desejadas que frequentemente não estão disponíveis para compra imediata, mesmo para clientes de alto poder aquisitivo.
Para Renan Bastos, que acompanha o mercado de relógios de luxo nos Estados Unidos (EUA), no Brasil e em outros importantes centros internacionais, essa é uma das transformações mais interessantes do luxo contemporâneo.
“Muitas pessoas acreditam que ter dinheiro é suficiente para comprar qualquer coisa. Mas, em determinados segmentos do luxo, não funciona assim. Algumas marcas atribuem grande valor ao relacionamento, ao histórico de compras e ao engajamento de longo prazo com seus clientes.”
Nos Estados Unidos, um dos maiores mercados consumidores de luxo do mundo, essa estratégia pode ser observada não apenas na relojoaria, mas também em diversos outros segmentos de alto padrão.
A lógica é relativamente simples: quanto mais desejado um produto se torna, mais importante passa a ser controlar o acesso a ele.
Como consequência, o próprio acesso se transforma em um ativo valioso.
Em alguns casos, consumidores estão dispostos a esperar anos para adquirir uma determinada referência. Em outros, recorrem ao mercado secundário e pagam valores acima do preço de tabela em troca da disponibilidade imediata.
Segundo Renan Bastos, essa dinâmica ajuda a explicar o crescimento do mercado secundário de relógios de luxo nos Estados Unidos e em outros importantes centros globais.
“Muitos compradores não estão procurando desconto. Eles estão procurando acesso. Sabem exatamente o que querem e não desejam esperar anos por uma oportunidade que talvez nunca aconteça.”
Esse comportamento desafia conceitos tradicionais de consumo.
Enquanto a maioria dos produtos perde valor com o tempo ou após o uso, determinados itens de luxo seguem uma lógica diferente, impulsionada pela escassez, pelo desejo do mercado e pela disponibilidade limitada.
Isso ajuda a explicar por que algumas referências são negociadas acima do preço de tabela, enquanto outras permanecem abaixo de seu valor original de venda.
No centro dessa dinâmica está uma palavra que se torna cada vez mais relevante: exclusividade.
Analistas do setor observam que, em um mundo onde informações, produtos e serviços se tornaram amplamente acessíveis, a capacidade de controlar o acesso passou a representar uma das vantagens competitivas mais poderosas das marcas de luxo.
Segundo Renan da Rocha Gomes Bastos, essa transformação reflete uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor.
“O produto continua sendo importante. Mas o relacionamento construído ao seu redor, a experiência de conquistar o acesso e a sensação de pertencimento a determinado ecossistema passaram a fazer parte do valor percebido.”
À medida que a riqueza global continua crescendo e novos consumidores entram nos mercados de luxo, muitos observadores acreditam que a exclusividade continuará sendo um dos principais diferenciais da indústria.
Em um mundo onde mais pessoas podem comprar produtos de luxo do que nunca, controlar o acesso pode, no fim das contas, se tornar ainda mais valioso do que simplesmente vender mais produtos.
