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”A internet gosta de ostentação”, dispara estilista  

Última atualização: 3 de julho de 2026 12:24
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4 Min Leitura
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Charles Hermann analisa o comportamento das redes e diz que o interesse pelo luxo supera o da moda   Gente: notícias, fotos e vídeos de famosos, celebridades, entretenimento e mais.

​

Charles HermannAcervo pessoal

A moda nunca esteve tão presente nas redes sociais.

Desfiles, campanhas, tapetes vermelhos e coleções ganham repercussão instantânea e alcançam milhões de pessoas em poucos segundos.

Mas, para Charles Hermann, isso não significa necessariamente que o público esteja mais interessado em moda.

Diretor da Victoria Alta Costura, o estilista baiano Charles Hermann vem ampliando sua presença no cenário internacional nos últimos anos.

Com desfiles em Paris e Milão, uma clientela que ultrapassa as fronteiras brasileiras e premiações recentes no exterior, ele acredita que existe uma diferença entre admirar moda e admirar o estilo de vida que ela representa.

A reflexão acontece em um momento em que o mercado de luxo segue em expansão no Brasil e no mundo, impulsionado também pelas redes sociais.

Para Hermann, no entanto, o crescimento do interesse por marcas, produtos e experiências de alto padrão não deve ser confundido com uma valorização genuína da moda enquanto expressão criativa.

“A internet não gosta de moda. A internet gosta de ostentação. Gosta do closet gigante, da bolsa de quase meio milhão de reais, da vida que a maioria das pessoas nunca vai viver”, afirma.

Segundo ele, basta observar o comportamento do público nas plataformas digitais para perceber onde está o foco da atenção.

“As pessoas querem saber quanto custa o vestido, quanto está avaliada uma bolsa ou qual marca determinada celebridade está usando. Pouquíssimos querem entender como aquela peça foi feita, qual tecido foi escolhido, quanto tempo levou para ser produzida ou quantas horas de trabalho manual existem por trás da criação.”

Para Hermann, a valorização do luxo e do consumo muitas vezes acaba ofuscando aspectos fundamentais da moda, como criatividade, técnica e artesanato.

“Existe uma contradição. As pessoas passam o dia criticando a ostentação nas redes sociais, mas são justamente esses conteúdos que mais despertam curiosidade e engajamento. O interesse está muito mais no símbolo de status do que na moda em si.”

O estilista conta que sua visão sobre esse cenário mudou ao longo dos anos.

“No começo eu ficava surpreso. Depois veio uma certa frustração. Hoje eu apenas enxergo a realidade como ela é. Não deixo mais a hipocrisia reinar quando ouço que o público ama moda mais do que nunca. O que cresceu foi o interesse pelo universo de luxo que cerca a moda.”

Apesar da crítica, Hermann faz questão de destacar que a essência da moda continua viva longe dos algoritmos.

“A verdadeira moda continua acontecendo nos ateliês. Está na pesquisa, no desenvolvimento de novas técnicas, na escolha dos materiais, no bordado feito à mão e no trabalho de profissionais que dedicam meses para transformar uma ideia em uma peça única.”

Em um cenário cada vez mais orientado por números, visualizações e tendências passageiras, o estilista acredita que o maior desafio da indústria está em fazer com que as pessoas voltem a enxergar valor no processo criativo.

“Eu gostaria que as pessoas se interessassem mais pela história de uma peça do que pelo seu valor financeiro. Porque o que realmente torna uma criação especial não é quanto ela custa, mas tudo o que foi necessário para que ela existisse.”

 

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