Artistas criticaram a emissora após declarações do ator sobre feminicídio e acusaram o canal de permitir desinformação ao vivo durante atração Gente: notícias, fotos e vídeos de famosos, celebridades, entretenimento e mais.

A participação de Juliano Cazarré no GloboNews Debate, exibido na terça-feira (12), provocou forte repercussão nas redes sociais após o ator divulgar informações falsas sobre homicídios de homens e mulheres no Brasil. Entre as críticas, Leandra Leal cobrou uma postura mais firme da GloboNews no combate à desinformação ao vivo.
Cazarré soltou uma informação incorreta sobre mortes de homens e mulheres no país, minimizando os dados sobre feminicídios. Na atração, Juliano disse que “mais mulheres mataram homens, do que homens mataram mulheres”, no entanto, isso foi contestado ao vivo durante o debate.
Revoltada com das declarações, a atriz global fez uma postagem no X sobre o assunto. Ela criticou o canal de notícias ao permitir que esses dados sejam colocados ao vivo sem qualquer checagem, sendo, portanto, informações distorcidas para comprovar opiniões pessoais.
“Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade. Programas de debates e entrevistas não podem permitir que dados distorcidos sejam usados para comprovar pontos de vista. A correção tem que vir na mesma velocidade da fala com checagem de fatos em tempo real”, disse.
Logo depois, Leandra publicou um vídeo em que pediu uma postura mais incisiva do Jornalismo da emissora contra fake news.
“Eu gostaria de pedir um comportamento do Jornalismo brasileiro que é, sim, de interferir quando uma fake news está acontecendo, principalmente em programas de debate”, reiterou.
A atriz Juliana Baroni também comentou sobre a participação do famoso na atração de revistas do grupo Globo. Revoltada, a artista disparou em seu perfil do Instagram.
“Como é possível a Globonews dar tanto espaço pra fakenews sem uma checagem de fatos e pronta correção? Um absurdo o ‘debate’ de ontem com Juliano Cazarre! Jornalismo ou sensacionalismo?”, indagou.
Outros famosos mostraram indignação com o debate promovido pela Globonews.
“Ainda bem que o dado apresentado foi tão absurdo que levantou muita indignação de todos após o programa! E você tá completamente certa! Deveria ter sido questionado na hora da fala”, disse Mateus Carrieri. “Perfeito”, concordou Samuel de Assis, ator da Globo.

André Fran, apresentador da própria GloboNews, também criticou o espaço dado a Juliano Cazarré: “Dar palco para discurso ignorante de macho redpill é potencializar o abuso, a violência e o assassinato de mulheres”, pontuou.
O que disse Cazarré?
Em uma de suas falas, ao defender o encontro de homens, o famoso afirmou que mulheres matam mais seus parceiros do que o contrário, o que seria um dado incorreto.
“Inclusive, mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 homens assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”, falou o ator.

Os números defendidos por Cazarré, já desmentidos por especialistas, surgiram em um vídeo publicado no TikTok em 2025. A publicação afirma que, em 2024, o Brasil registrou 46.328 homens mortos em crimes violentos, embora o número real tenha ficado em cerca de 42 mil.
No entanto, o vídeo utiliza um percentual falsamente atribuído ao IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), segundo o qual 6% desses homicídios teriam sido cometidos por parceiras das vítimas. Com isso, chega-se ao número de 2.760 homens mortos por mulheres, em comparação com 1.500 feminicídios, crimes motivados por violência de gênero.
As mortes causadas por mulheres ocupam entre 5% e 6% das estatísticas, mas o cenário se inverte quando o autor é do sexo masculino. De acordo com o relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, de 2026, em quase a totalidade dos casos de feminicídio (97,3%), o autor é um homem.
A publicação, porém, distorce dados relacionados a assassinatos passionais e à violência urbana, contexto em que os homens são maioria tanto entre as vítimas quanto entre os autores dos crimes.
