Justiça apontou fraudes em rifas eletrônicas, ocultação de patrimônio e uso de comprovante falso de doação envolvendo o ex-BBB e sua esposa Gente: notícias, fotos e vídeos de famosos, celebridades, entretenimento e mais.

O influenciador digital Nego Di foi condenado pela Justiça do Rio Grande do Sul, na última terça-feira (23), a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso.
Leia mais: Nego Di vira réu por fraude em rifa de Porsche no RS
Além dos quase 15 anos de reclusão, a decisão ainda acrescenta uma pena de 1 ano e 15 dias de prisão simples, em regime semiaberto, por promoção de loteria ilegal.
Quem é Nego DI
O influenciador digital, humorista e ex-BBB Nego Di, nome artístico de Dilson Alves da Silva Neto, tem 32 anos e nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Criado apenas pela mãe, ele começou a trabalhar ainda jovem para ajudar nas despesas da família.
A trajetória de Nego Di começou nas redes sociais, onde ganhou notoriedade com vídeos de humor, áudios de WhatsApp e imitações. Foi nesse período, em 2016, que surgiu o personagem que o tornaria famoso nacionalmente, responsável por bordões como “Hoje é dia de maldade” e “É us guris“.
A popularidade do influenciador cresceu ainda mais após sua participação no grupo Camarote do Big Brother Brasil 2021, da TV Globo. Nego Di foi o terceiro eliminado da edição, deixando o reality com 98,76% dos votos, uma das maiores rejeições da história do programa.
Doações para o Rio Grande do Sul
Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o humorista ganhou destaque ao compartilhar ações de ajuda às vítimas, distribuindo mantimentos e doações, além de publicar vídeos sobre a situação nas redes sociais.
Na mesma época, Nego Di anunciou uma suposta doação de R$ 1 milhão para os atingidos pelas enchentes por meio de uma vaquinha solidária.
Em 12 de julho de 2024, Nego Di e sua esposa, Gabriela Sousa, foram alvos de uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que investiga a suspeita de lavagem de R$ 2 milhões relacionada à promoção de rifas virtuais que, segundo o órgão, seriam ilegais.

De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, o humorista promoveu pelo menos 34 sorteios divulgados nas redes sociais. Nessas ocasiões, o ex-BBB ofereceu prêmios em dinheiro e bens de alto valor mediante a venda de bilhetes.
Entre eles estava uma Porsche Macan avaliada em cerca de R$ 500 mil, além de premiações em dinheiro que somavam aproximadamente R$ 650 mil. Na sentença, o juiz Ricardo Petry não aceitou a alegação da defesa de que o casal desconhecia a ilegalidade das ações.
O magistrado declarou que Nego Di jamais teve a intenção de entregar o prêmio anunciado no caso da rifa da Porsche. Sendo assim, concluiu que houve indução das vítimas ao erro por meio de uma encenação fraudulenta.
Conforme destacou a acusação, as ações do influenciador e de sua esposa teriam causado prejuízo superior a R$ 185 mil a pelo menos 9.683 participantes.
Além disso, a investigação também apontou que Nego Di e Gabriela Vicente de Sousa, sua companheira, teriam ocultado mais de R$ 2,4 milhões por meio de contas de terceiros, operações bancárias e aquisição de bens.

Lavagem de dinheiro
Entre os patrimônios identificados estariam carros de luxo e imóveis em Porto Alegre, na Serra e no litoral gaúcho. Enquanto Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de prisão, Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro.
Para essa decisão, a Justiça levou em consideração a divulgação, nas redes sociais, de um comprovante de Pix que indicava uma suposta doação de R$ 1 milhão para vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

Na época, a postagem feita pelo ex-BBB repercutiu bastante nas redes sociais, e o influenciador chegou a receber elogios de diversas celebridades. No entanto, o Pix era falso, e o famoso nunca chegou a doar esse valor.
O Ministério Público revelou que o documento era falso e que a transferência efetivamente realizada teria sido de apenas R$ 100, fato que embasou a condenação por uso de documento falso.
Vale destacar que, em junho, Nego Di já havia sido condenado a 11 anos e 8 meses de prisão por estelionato em outro processo, relacionado à loja virtual Tadizuera.
Conforme apontou a investigação, o site anunciava produtos com preços abaixo do mercado, mas não entregava as mercadorias. De acordo com as apurações, o prejuízo estimado às vítimas ultrapassou R$ 5 milhões.
*O iG tenta contato com os representates de Nego Di e Gabriela Vicente de Sousa. O espaço permanecerá aberto para esclarecimentos.

