Presidente da Câmara de Itaguaí diz que cidade está parada e reforça que foco deve ser na retomada de obras e ações estruturantes iniciadas durante sua gestão interina
O presidente da Câmara Municipal de Itaguaí, Haroldo Jesus, conhecido como Haroldinho, fez um pronunciamento em suas redes sociais na noite desta quarta-feira (17). Em uma live transmitida diretamente de sua casa, Haroldo evitou entrar em polêmicas sobre os supostos áudios que circularam na cidade nos últimos dias e preferiu direcionar seu discurso à defesa da continuidade dos projetos iniciados durante sua gestão interina como prefeito, entre janeiro e junho de 2025.
“A população não quer saber de guerra política. Quer saber se o hospital vai ser entregue, se o posto 24 horas vai abrir, se o Hospital do Olho vai funcionar, se a maternidade vai sair do papel. Foi por isso que entrei aqui hoje”, disse o parlamentar durante a transmissão.
Cobrança por responsabilidade e continuidade
Haroldo demonstrou preocupação com o que chamou de paralisação da cidade após seu retorno ao Legislativo. Segundo ele, os salários dos servidores foram atrasados, o calendário de pagamento foi rompido e obras importantes estão paradas ou abandonadas.
Entre os projetos citados por Haroldo na live estão:
Hospital do Olho: pronto e aguardando funcionamento, com atendimento oftalmológico 100% gratuito, fruto de um incremento de quase R$ 2 milhões mensais no teto MAC do SUS;
Maternidade e Centro de Parto Normal (CPN): projeto com recursos federais já garantidos, mas obras não iniciadas;
Hospital São Francisco Xavier: obras retomadas em sua gestão, com entrega prevista para novembro, mas agora paralisadas por falta de plano de retirada dos leitos;
Centro de Imagem e Clínica de Hemodiálise: projetos travados;
Posto Central 24 horas, que seria implantado onde hoje funcionam as feiras, também descartado;
Escola de Piranema, não inaugurada.
UPA, saúde e CPI
Haroldo criticou a condução da gestão da saúde após a troca de administração. Ele destacou o fechamento da UPA por três dias, fato que, segundo ele, contribuiu para o aumento do índice de mortalidade. O vereador relembrou que é o autor da denúncia que culminou na CPI da UPA, aberta recentemente na Câmara, e afirmou que irá fiscalizar rigorosamente os contratos emergenciais.
“Eu não tenho problema em falar de prazo. Fui eu quem abri a CPI e vou acompanhar tudo de perto. Fecharam a UPA por três dias para justificar uma contratação emergencial de R$ 22 milhões e o serviço caiu de qualidade. Isso é inaceitável”, afirmou.
Evita polêmicas e reafirma compromisso com a cidade
Ao longo da transmissão, Haroldo evitou comentar sobre os áudios supostamente vazados. O presidente da Câmara optou por não alimentar a polêmica e reforçou que sua prioridade é cobrar a execução das ações públicas.
“Não vou entrar em assuntos de montagem e mentiras. Meu compromisso é com Itaguaí, com o povo da cidade. Quero saber se os projetos vão continuar, se vão fazer melhor do que fizemos nesses cinco meses e meio. Não estou preocupado em responder boatos, estou preocupado com a cidade andando”, disse.
Instabilidade política e expectativa por decisão da Justiça
Haroldo também comentou sobre o cenário de indefinição jurídica no município. O retorno do prefeito Rubem Vieira (Rubão), afastado inicialmente por decisão da Justiça Eleitoral, foi permitido por uma liminar do ministro Dias Toffoli, do STF. A cidade aguarda julgamento definitivo pelo TSE.
“A Justiça precisa decidir o futuro de Itaguaí. Não podemos ficar nessa insegurança. Os empresários não sabem se vão investir, os servidores estão inseguros, a cidade parou. Eu, como vereador, vou continuar cobrando e fiscalizando”, afirmou Haroldo.
Mensagem final: foco na população
Ao final da live, o presidente da Câmara reafirmou que seguirá atuando como legislador, fiscalizador da aplicação do dinheiro público e reforçou que sua postura será de cobrança, não de disputa política.
“Não adianta querer destruir o que foi feito. Se puder fazer melhor, faça. Mas faça, entregue, não fique criando mentiras. A cidade precisa de ação e não de briga política”, concluiu.
